não mais que tela que tecla
que dedo da mão com o medo
de mostrar o dente o sorriso
ou o siso crescido na dor
do espaço do hiato que aperta
meu dedo
meu medo
indicador
de tanta coisa que entra
e que escapa de mim
sem controle
parado
sentado
dentro de casa
03 julho, 2007
21 junho, 2007
14 junho, 2007
CADEIA
A polícia repreende
a semântica-manteiga
que mastiga quântica-
mente o meio físico
e a aura da cidade.
Dimensiona a padaria
no quarteirão poético-
científico das letras.
Idéia: luz quadrada como um pão.
Cadeia, escritores vagabundos!
a semântica-manteiga
que mastiga quântica-
mente o meio físico
e a aura da cidade.
Dimensiona a padaria
no quarteirão poético-
científico das letras.
Idéia: luz quadrada como um pão.
Cadeia, escritores vagabundos!
12 junho, 2007
DENTRO DO CENTRO
Dentro do centro, no cerne,
a mosca persiste, o amor,
o verme que germina em flor,
que cresce, cresce,
e não termina.
Mas está lá, dentro do centro,
no cerne, no fundo, recusada.
Mas está lá, a flor de abelha
e mel amargo cultivada.
Um dia, se quebra a crosta.
Em outro ela se reconstrói,
me destrói, mostra força.
Assim se espalha o verme,
que cresce, cresce,
e se equivale à flor.
E a abelha, de seu ventre,
ri, corre e corrói,
zomba de nós:
alegria e dor.
a mosca persiste, o amor,
o verme que germina em flor,
que cresce, cresce,
e não termina.
Mas está lá, dentro do centro,
no cerne, no fundo, recusada.
Mas está lá, a flor de abelha
e mel amargo cultivada.
Um dia, se quebra a crosta.
Em outro ela se reconstrói,
me destrói, mostra força.
Assim se espalha o verme,
que cresce, cresce,
e se equivale à flor.
E a abelha, de seu ventre,
ri, corre e corrói,
zomba de nós:
alegria e dor.
11 junho, 2007
DO JEITO QUE QUISER
Do jeito que quiser
sempre assim e a seu modo
é como vai ser,
será?
Eu não vou perguntar
a um corpo falido
o que há pra dizer,
eu não vou perguntar.
Nem que tudo
fique mais lento,
porque tudo
é o que demora
bastante
pra resolver.
Conseguir perguntar.
É a coisa fazer
e ao medo, calar.
sempre assim e a seu modo
é como vai ser,
será?
Eu não vou perguntar
a um corpo falido
o que há pra dizer,
eu não vou perguntar.
Nem que tudo
fique mais lento,
porque tudo
é o que demora
bastante
pra resolver.
Conseguir perguntar.
É a coisa fazer
e ao medo, calar.
CARGA PRETA
Vem do coração
desce pelo braço
chega aos dedos
e entra na caneta
a minha ânsia
em forma de tinta.
desce pelo braço
chega aos dedos
e entra na caneta
a minha ânsia
em forma de tinta.
04 junho, 2007
TETO PROS TRISTES
Como se ouvisse um jazz
de batidas quebradas
é que bate meu coração,
fragmentado e em pedaços,
dono somente deste quarto.
Penso em ligar a televisão
(hoje estou mesmo sem pretensão)
mas depois vejo que não pensei,
só fui tentado ao ócio.
Quando vou olhar a janela
só vejo prédios me olhando
e outras várias janelas
onde há vida
e nem tanta privacidade.
(Os da Vieira são felizes...)
Desisto.
Deito e vou olhar
pra única coisa que consigo encarar:
o teto.
de batidas quebradas
é que bate meu coração,
fragmentado e em pedaços,
dono somente deste quarto.
Penso em ligar a televisão
(hoje estou mesmo sem pretensão)
mas depois vejo que não pensei,
só fui tentado ao ócio.
Quando vou olhar a janela
só vejo prédios me olhando
e outras várias janelas
onde há vida
e nem tanta privacidade.
(Os da Vieira são felizes...)
Desisto.
Deito e vou olhar
pra única coisa que consigo encarar:
o teto.
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